terça-feira, 28 de maio de 2013

Rio de lágrimas

Faltam 3 milhas para o rio
Que me levará embora
E duas milhas para a rua empoeirada
Em que eu te vi hoje

Faltam quatro milhas para meu quarto solitário
Onde eu esconderei o meu rosto
E meia milha para o bar do centro
Para o qual eu fugi em desgraça

Senhor quanto tempo ainda terei que continuar fugindo
Sete horas, sete dias ou sete anos
Tudo que sei é que desde que você se foi
Sinto-me afogando em um rio

Afogando em um rio de lágrimas
Afogando em um rio
Sinto-me afogando
Afogando em um rio

Em três dias mais eu deixarei esta cidade
E desaparecerei sem deixar nenhuma pista
Um ano a partir de hoje talvez me acalmarei
Algum lugar onde ninguém reconheça meu rosto

Eu gostaria de poder te abraçar
Mais uma vez para aliviar a dor
Mas meus momentos passaram e eu preciso partir
Preciso fugir novamente

Ainda me pego pensando
Que um dia encontrarei meu caminho de volta para cá
Você me salvará do afogamento
Afogando em um rio

Afogando em um rio de lágrimas
Afogando em um rio
Parece que estou me afogando
Afogando em um rio

Oh, quanto tempo isso ainda tem que levar
Afogando em um rio

Afogando em um rio de lágrimas.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Trovoa.



Minha cabeça trovoa
Sob o meu peito eu te trovo e me ajoelho
Destino canções pros teus olhos vermelhos
Flores vermelhas, vênus, bônus
Tudo que me for possível, ou menos
Mais ou menos
Me entrego, ofereço, reverencio a tua beleza
Física também, mas não só,
Não só
Graças a deus você existe
Acho que eu teria um troço se você dissesse que não tem negócio
Te ergo com as mãos, sorrio mal, mal sorrio
Meus olhos fechados te acossam
Fora de órbita
Descabelada, diva, súbita
Súbita
Seja meiga, seja objetiva
Seja faca na manteiga
Pressinto como você chega, ligeiro
Vasculhando a minha tralha
Bagunçando a minha cabeça
Metralhando na quinquilharia que carrego comigo
Clipes, grampos, cremes, tônicos
Toda dureza incrível do meu coração
Feita em pedaços
Minha cabeça trovoa
Sob teu peito eu encontro a calmaria e o silêncio
No portão da tua casa no bairro
Famílias assistem tv - eu não
Às 8, 9 da noite
Eu fumo um marlboro na rua como todo mundo
E como você, eu sei
Quer dizer, eu acho que sei
Eu acho que sei
Vou sossegado e assobio
E é porque eu confio em teu carinho
Mesmo que ele venha num tapa
E caminho a pé pelas ruas da lapa
- logo cedo, vapor? não acredito!
A fuligem me ofusca
A friagem me cutuca
Nascer do sol visto da vila ipojuca
O aço fino da navalha que faz a barba
O aço frio do metrô
O halo fino da tua presença
Sozinha na padoca em santa cecília
No meio da tarde, soluça
Quer dizer, relembro
Batucando com as unhas coloridas
Na borda de um copo de cerveja
Resmunga quando vê
Que ganha chicletes de troco
Lembrando que um dia falou
"sabe, você tá tão chique, meio freak, anos 70
Fique
Fica comigo
Se você for embora eu vou virar mendigo
Eu não sirvo pra nada
Não vou ser seu amigo
Fique
Fica comigo"
Minha cabeça trovoa
Sob o teu manto eu me entrego
Ao desafio de te dar um beijo, entender o teu desejo
Me atirar pros teus peitos
Meu amor é imenso, é maior do que penso
É denso
Espessa nuvem de incenso de perfume intenso
E o simples ato de cheirar-te
Me cheira a arte
Me leva a marte
A qualquer parte
A parte que ativa a química
Química
Ignora a mímica e a educação física
Só se abastece de mágica
Explode uma garrafa térmica
Por sobre as mesas de fórmica de um salão de cerâmica
Onde soem os cânticos
Convicção monogâmica
Deslocamento atômico
Para um instante único
Em que o poema mais lírico
Se mostre a coisa mais lógica
E se abraçar com força descomunal
Até que os braços queiram arrebentar
Toda a defesa que hoje possa existir
E por acaso queira nos afastar
Esse momento tão pequeno e gentil
E a beleza que ele pode abrigar
Querida, nunca mais se deixe esquecer
Aonde nasce e mora todo o amor.


Para alguém que não existe mais. 

domingo, 13 de janeiro de 2013

Me perdoe.

Não me ame, não me ligue no dia seguinte nem ao menos se importe com algo parecido.
Não olhe para traz, não me agradeça.
Me sinta, me use, se arrependa. Só não me ame. Não se apegue.
E se eu me esquecer de quem realmente sou, quero que desde já me perdoe. Me perdoe por não deixar para traz só os cigarros apagados e acordar do seu lado. Me perdoe se ao invés do cheiro de bebida, eu te fazer inventar comigo um cheiro nosso. Mas me perdoe principalmente por depois de alguns meses plenos, eu me lembrar de quem eu sou. Me perdoe desde já pelas lagrimas, arrogância, e o tempo perdido. E se eu  por acaso ou descaso me perder em outros lábios, me perdoe por ter me lembrado de quem sou mais rápido do que esperava.  
E no fim, não guarde rancor de de uma pobre amante imatura. Não se lamente por se entregar. Leve os bons momentos ou se quiser lembre somente da guimbas de cigarro que eu deixei para traz.
Me perdoe por ser eu e por não lamentar. 
Me perdoe por pedidos de desculpa vazios.